TELEHANSEN® 2003 Relatório Final de Campanha

Este relatório faz uma análise das ligações atendidas pelo Telehansen no período de 27/01 a 11/03 Nele é mostrada a distribuição do número de ligações por unidades da federação e sexo, bem como as mídias que mais contribuíram no número de ligações e as principais dúvidas dos usuários.


I. INTRODUÇÃO

A campanha de informação sobre a hanseníase foi uma parceria do MORHAN com a OPAS/OMS, BBC de Londres, Ministério da Saúde e as principais redes de rádio e TV do Brasil, seu objetivo foi de esclarecer ao maior número de pessoas sobre os seus sintomas e cura. Em adição aos anúncios foi divulgado o número do Telehansen® para informações complementares e denúncias.

O projeto inicial de funcionamento do Telehansen® previa um funcionamento em dois turnos em horário comercial, das 8 às 18 horas, porém para atender a demanda da campanha, que teve inserções no chamado horário nobre, os dois turnos foram ampliados possibilitando o funcionamento das 8 às 22h, contando com 7 atendentes por turno. Este relatório faz uma análise de 11606 ligações, com uma média diária de 386,7 ligações, considerando um período de trinta dias de atendimento. Adicionalmente as ligações para esclarecimentos sobre a hanseníase foram registradas denúncias de irregularidades, falta de medicamento e abandono do tratamento por pacientes. As denúncias foram encaminhadas aos núcleos locais e coordenações estaduais do MORHAN e são um material valioso no diagnóstico do perfil social da hanseníase, bem como das deficiências encontradas no sistema nacional de saúde.

Deve-se ressaltar a abrangência da campanha. Pela primeira vez, simultaneamente, todas as grandes redes de TV e Rádio veicularam as mensagens. Este caráter abrangente e massivo possibilitou o acesso de informações básicas sobre a hanseníase para milhões de pessoas em todo o território nacional. Certamente os benefícios da campanha não podem ser numericamente medidos, mas ao colocar a hanseníase como um problema nacional, esclarecer sobre os seus sintomas, onde buscar tratamento e falar de cura, ataca-se a ignorância e o preconceito, que são seguramente dois empecilhos a sua eliminação.


II. METODOLOGIA DE ATENDIMENTO

Ao receber uma ligação o atendente foi orientado a se identificar, no decorrer atendimento são pedidas informações gerais sobre o usuário e de como teve conhecimento do número do Telehansen®. Adicionalmente o atendente insere informações subjetivas da relação do usuário com a doença, por exemplo: se tem ou teve hanseníase; se teve contato com alguém com a doença ou sintomas, se é profissional de saúde. Estas informações, juntamente com outras fornecidas pelo usuário são inseridas num banco de dados, figura 1, e são objeto de análise neste relatório.




Figura 1. Tela do banco de dados.


III RESULTADOS

III.1. Distribuição das ligações por gênero.

A figura 2 mostra a distribuição do número de ligações separadas por gênero. As mulheres correspondem a 59% das ligações, mantendo uma tendência de anos anteriores, 2001 e 2002* .




Figura 2. Distribuição das ligações por gênero.


III.2. Distribuição das ligações por unidade da federação.

A figura 3 mostra a distribuição do número de ligações por unidades da federação. Os dados são apresentados em função do número de habitantes da unidade. Observa-se claramente um predomínio das ligações oriundas do Rio de Janeiro, seguido do Distrito Federal, Paraíba e Pernambuco respectivamente. O desvio padrão da amostra foi de 1,55, contudo se excluirmos o RJ este número cai para 1,82 o que demonstra uma uniformidade no alcance da campanha nos demais unidades da federação. A menor prevalência ficou com o Amazonas (0,71), bem abaixo da média nacional que foi de 3,21. A figura 4 mostra a distribuição dos telefonemas por regiões do país a região sudeste predomina com 27% das ligações, apresentando um número muito superior ao da região norte com 15%.




Figura 3. Prevalência do número de ligações por unidades da federação.




Figura 4. Distribuição das ligações por regiões. Valores iguais a média da prevalência dos estados de cada região.



III.3. Análise de mídias

     A figura 5 mostra que a mídia que mais contribuiu no número de ligações foi a TV, o rádio vem em segundo lugar. Os demais meios de divulgação pouco influíram. Dentro da mídia TV, rede Globo teve um alcance superior a soma de todas as demais, figura 6.




Figura 5. Fontes de divulgação do Telehansen®.




Figura 6. Participação das redes de TV na campanha.




III. Identificação do usuário

Neste item é feita uma tentativa de identificação do usuário com a hanseníase. São estabelecidas 5 categorias e caso o usuário se encaixe em uma delas, é feita uma classificação. Neste item o usuário é classificado em uma das seguintes formas:

A figura 7 mostra a distribuição das ligações em que foi possível classificar o usuário em uma das categorias já descritas. O universo dessas ligações foi 11,67% de todos os atendimentos registrados. O total de usuários que tiveram ou têm hanseníase corresponde a 55,2% das ligações, este número não pode ser tomado como representativo do conjunto de pessoas com a doença, mas corresponde a 6,4% de todos os atendimentos.



Figura 7. Classificação dos usuários segundo o seu contato com a hanseníase.



III. Principais questões abordadas nos telefonemas

Uma lista com 18 palavras chaves foi oferecida ao atendente. As palavras chaves são assinaladas de acordo com as questões levantadas pelo usuário, neste caso pode-se ter mais de uma marcação por ligação. Com este tipo de informação busca-se estabelecer quais os aspectos que mais atingem ou preocupam a clientela do Telehansen®. A figura 8, mostra que as palavras Sinais e Sintomas, Local de Tratamento, Contágio e Cura foram as mais freqüentes. A busca por informações da sintomatologia foi, sem dúvida, a questão mais freqüente apesar de ser uma questão abordada nos anúncios da campanha.




IV. CONCLUSÕES

Com base nos gráficos mostrados pode-se concluir que:

No campo das denúncias a falta de medicamentos nos postos de saúde, sobretudo Predinisona, foi a mais comum. A possibilidade do fato ser freqüente é grande, porém com a realização da campanha e divulgação do Telehansen® pode-se abrir um caminho de contato com população atingida. Contudo o simples conhecimento do fato não resolve o problema, os agentes envolvidos nesta campanha devem assumir suas responsabilidades, as emissoras de rádio e TV podem continuar a veiculação dos anúncio e abrir espaço em sua programação para matérias sobre a hanseníase. O MORHAN deve continuar exercendo um papel fiscalizador e mobilizador através de seus núcleos. Mas ao Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais de Saúde cabe o papel de gestor de uma política de combate a hanseníase. Uma política que privilegie a informação da população, a capacitação dos profissionais de saúde e a infra-estrutura do SUS.

Artur Custódio Moreira de Souza
Coordenador Nacional do MORHAN