Morhan Nacional:

Ele tinha tudo para desistir da vida ou ter se transformado em uma pessoa amarga, mas superou as dificuldades da perda dos dedos e das duas pernas e se tornou um artesão reconhecido pelas obras de artes que consegue entalhar em pedaços de madeira. Nélio Ribeiro Brasil, 54, é mais uma dessas pessoas que vencem os limites do sofrimento pela vontade e dão uma verdadeira lição de otimismo e persistência. Aos oito anos de idade ele descobriu que havia contraído hanseníase. Além de Nélio, seus sete irmãos e a mãe também foram vítimas da doença. Na época, toda a família morava em Porto Velho (RO). Porém, ele teve que se desligar dos demais parentes e foi para Bauru (SP) tratar a enfermidade, que naquela década (60) era chamada pela sociedade de lepra. O preconceito por ser portador de hanseníase era grande. No entanto, isso não era nada perto das dificuldades que ainda estavam por vir. Quando tinha 16 anos, Ribeiro sofreu um acidente de caminhão e, mesmo sobrevivendo à tragédia que vitimou 22 das 24 pessoas que estavam no veículo, acabou tendo as duas pernas amputadas eperdeu também os dedos. “O médico mandou amputar meus dedos também devido à hanseníase, que já atingia minhas mãos”, recorda. Após a tragédia, ele permaneceu por mais dez anos em Bauru, quando se tratou tanto da hanseníase como das seqüelas deixadas pelo acidente do caminhão. Nesse período, Nélio participou de um curso de artesanato na Sorrir, entidade ligada ao Hospital Lauro de Souza Lima, no Estado de São Paulo, e aprendeu a confeccionar as primeiras peças por meio da utilização de sementes e outros produtos. Curado da hanseníase, Ribeiro retornou para Porto Velho e aos 26 anos começou a produzir artesanatos à base de madeira. “Muitas pessoas duvidam que eu confecciono esses objetos, e só acreditam mesmo quando me vêem fazendo os produtos”, ressalta o artesão. Pouco depois de iniciar o trabalho com madeira, Nélio sofreu mais um doloroso golpe em sua vida: perdeu a esposa que era portadora de câncer. Em seguida, ele veio para o Acre, onde vive atualmente com o filho de 22 anos em uma casa no bairro Ivete Vargas. “Inclusive o meu filho Fabiano Marinho, que trabalha em uma rede de supermercados da cidade, me ajuda a confeccionar alguns artesanatos quando lhe sobra um tempinho. O dinheiro que arrecadamos com a venda de artesanatos e do emprego do meu filho, juntamente com a pensão de um salário mínimo que recebo do Fundo Rural, é o que garante o nosso sustento”, assegura Nélio. Produção dos artesanatos Nélio garante que faz todo tipo de artesanato com o auxílio de alguns equipamentos que o ajudam a fixar a madeira para que o trabalho seja realizado, já que o artesão não conta com nenhum de seus dedos para que seja feito o apoio. Já a madeira utilizada para a produção das peças é encontrada em oficinas de movelarias e madeireiras da cidade. “Eu pego as partes da madeira que os marceneiros não aproveitam e levo para casa”, revela. Entre os produtos confeccionados pelo artesão estão chaleiras, abajur, paliteira, jarros de flores, animais e inclusive miniaturas de automóveis. Nélio ressalta que já fez miniaturas de carretas e ônibus para a empresa de transporte Real Norte. “Faço todo o tipo de carro, é só me mostrar que faço igualzinho. Até uma coruja, que só havia visto na televisão, consegui produzir”, orgulha-se. “Os produtos são vendidos por preços entre R$ 10 e R$ 100.”Nélio, que também faz parte do Movimento das Pessoas Atingidas pela Hanseníase no Acre (MORHAN/AC), afirma que está na expectativa de a entidade conseguir uma outra área para se instalar, tendo em vista que em sua residência, localizada na rua Raimundo Lima, número 40, no bairro Ivete Vargas, há pouco espaço para que ele possa realizar sua atividade e também repassar os conhecimentos que adquiriu para outras pessoas interessadas em confeccionar artesanato. “Se o MORHAN obtivesse um espaço maior eu poderia expor meus art
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