Morhan Nacional:

Terezinha Prudênso da Silva, viúva de Francisco Augusto Vieira Nunes, mais conhecido como Bacurau, recebeu na última sexta-feira (13), durante a posse do Conselho Estadual de Saúde do Acre, uma placa em nome do marido pela dedicação, empenho e contribuição no fortalecimento do Controle Social do Sistema Único de Saúde (SUS). Bacurau descobriu que era portador de hanseníase aos dez anos de idade, quando a professora pediu-lhe que escrevesse na lousa e verificou que ele tinha um ferimento em sua mão. Por insistência da educadora, o aluno fez um exame e detectou a doença. A partir daí, Bacurau enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua vida por conta do preconceito, que durante muito tempo acompanhou, de forma severa, as pessoas que sofrem da enfermidade. Apesar da discriminação, Bacurau não buscou isolamento e lutou para combater o preconceito contra a doença no país, já que até impedido de estudar já havia sido.Em 1981, enquanto se tratava da doença em São Paulo, acabou fundando o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), hoje conhecido e respeitado por toda a sociedade. Aos poucos, a enfermidade, que era conhecida como lepra, começou a ser mais discutida e estudada pelos especialistas, levando assim mais esperança aos portadores. “Foi uma bênção e um prazer muito grande receber essa homenagem por ele. Estamos muito felizes pela lembrança e pelo reconhecimento dos companheiros da saúde”, afirma Terezinha, que faz parte do colegiado nacional do Morhan e é voluntária do movimento no Estado. Em 1997, quando tinha 57 anos, Bacurau morreu vítima de câncer no pulmão e na cabeça. Ele era professor e já havia concorrido em três eleições no Acre, mas sem sucesso.“Hoje o Morhan existe em vários Estados brasileiros e graças a Bacurau, que teve coragem de lutar para combater o preconceito à doença, a situação dos portadores de hanseníase melhorou significativamente em todo o Brasil”, garante Élson Dias, coordenador do Morhan no Acre. Fonte: Página 20
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