Morhan Nacional:

Alguém poderia se perguntar: o que um relógio enferrujado de uma igreja em ruínas tem de tão especial? De fato, por muitos anos o estado de abandono em que se encontrava o velho marcador de tempo não foi capaz comover responsáveis pelo Instituto Lauro de Souza Lima.De uns anos para cá, porém, a coisa mudou e a direção do hospital passou a se interessar pela preservação do antigo sanatório. Graças a isso, o relógio acabou ganhando uma nova chance. O problema, agora, era encontrar um profissional capaz de fazer com que os ponteiros da máquina voltassem a girar.Não foi fácil. “Há muito tempo, um relojoeiro chegou a pedir R$ 4.500,00 para fazer o restauro. Era muito dinheiro”, recorda Prado, que trabalha de graça em horários de folga no conserto do maquinário. Embora seja o único profissional que está sendo remunerado nessa história, Papassoni garante estar cobrando uma quantia pequena para realizar o serviço. “É mais um valor simbólico”, diz ele, que preferiu não revelar à reportagem o preço de seus honorários. A ressurreição do relógio faz parte de um projeto internacional de resgate da história dos asilos-colônias, no qual o Instituto Lauro de Souza Lima está envolvido. O antigo sanatório de hansenianos de Aymorés foi inaugurado em 1933 para atender pacientes de toda a região. Nos anos 60, a colônia foi desativada e o local passou a funcionar como hospital. Já existe um projeto em estudo que pretende restaurar a velha igreja, só que a direção do instituto espera pela liberação de recursos (que provavelmente seriam destinados por alguma instituição internacional) para que as obras possam ter início. Ainda que a reforma demore para vir, os moradores do asilo já terão um pequeno alento, que é o de poderem ver os ponteiros do relógio marcando as horas de maneira correta. Isso, é claro, se alguém se dispuser a subir toda semana até o alto da torre para colocar a boa e velha geringonça para funcionar. É que a energia acumulada pelas engrenagens do relógio tem capacidade para fazer o mecanismo funcionar por apenas sete dias. Depois disso, ele volta a parar. “Pode ficar sossegado que eu subo lá para dar corda”, garantiu Prado, enquanto dava os últimos retoques na máquina. Amanhã de manhã, ele acredita que o relógio já esteja em pleno funcionamento. Já não era sem tempo. Fonte: Jornal da Cidade Foto: Jaime Prado limpa partes do relógio mecânico de 1950 da Igreja Nossa Senhora das Dores (Luís Cardoso/Agência BOM DIA)
Compartilhe: