Morhan Nacional:

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) realizou uma vistoria técnica na vila Santo Antônio do Prata, a ex-colônia do Prata, no município de Igarapé-Açu, a 117 km de Belém, para verificar possíveis irregularidades na prestação de serviços à saúde de pacientes com hanseníase. O médico Adérito Cruz e a assistente social Cláudia Passos, ambos da Procuradoria Geral da República, e o engenherio sanitário do MPF/PA, Evilázio Lima, foram os peritos responsáveis pelo trabalho.O Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Alexandre Soares, instaurou um procedimento administrativo para investigar denúncias de precariedade das condições de vida dos doentes de hanseníase, falta de medicamentos e assistência médica no local, o que estaria ajudando a disseminar a doença na região. A situação foi retratada em reportagens na imprensa local.Dois portadores de hanseníase que moram no abrigo Dr. Honorato de Carvalho denunciaram que nunca tiveram atividades de terapia ocupacional e que não têm uma alimentação regular. "Quando tem almoço, não tem janta. Quando tem café, não tem leite. Aí, para não passar necessidade, a gente manda comprar as coisas com o dinheiro do benefício", explica um dos hansenianos que já vive abrigado no Prata há mais de 50 anos. Os portadores de hanseníase reclamam que não recebem o "rancho" - denominação dada por eles à cesta básica que recebiam do governo estadual - desde o início do ano. Segundo eles, com a troca de governo o estado não tem encaminhado a ajuda aos doentes. "A gente tem nossos direitos e eu quero saber onde estão", indaga Luiz Augusto da Silva, 48, que vive há 38 anos na ex-colônia do Prata.Na saúde, Luiz se indigna por não ter médico a toda hora na vila. Além disso, a unidade mista de saúde, que abriga precariamente consultórios e laboratórios de exames, tem que atender uma demanda de quase 12 mil pacientes, conforme constatado no cadastro de prontuários, sendo que a média de pessoas atendidas que são de dentro da própria vila é de sete mil. São atendidas pessoas de regiões próximas à ex-colônia que não moram na área.Os problemas continuam com a falta de ambulância. Moradores denunciam que precisam ligar para Igarapé-Açu quando necessitam dos serviços de ambulâcia e, quando o socorro demora a chegar, os pacientes têm que ser deslocados até Igarapé-Açu ou até mesmo à cidade Castanhal com recursos próprios.O lixo foi um dos problemas que não constava no procedimento administrativo, mas que preocupa também os moradores. Luiz disse que há duas semanas não há coleta de lixo na vila. “A imundície é grande”, assim que ele caracteriza o atual estado da ex-colônia.Segundo o perito do MPF, Evilázio Lima, essa situação é a mesma que se vê em outros municípios do Pará, mas se torna mais preocupante por se tratar da mistura de lixo domiciliar com o lixo hospitalar em uma área que tem elevados índices de doentes. Além disso, esse descuido com o lixo pode gerar a poluição da água da região, que é também ameaçada pela falta de um sistema de esgoto eficiente. Os peritos constataram a presença de canos expostos no meio da rua e a construção irregular de fossas sanitárias, que pode infectar os lençóis freáticos, principal fonte de água das famílias da vila, que usam poços."A água é laranja". É desta forma que os moradores denunciam a qualidade da água que chega até as casas deles. O perito do MPF explica que os canos antigos de ferro podem ser também responsáveis pela coloração.Mesmo com a baixa qualidade, a água é um dos fatores que atraem migrantes para o local. É que, assim como a energia elétrica, ela é subsidiada pelo governo do estado. São serviços com tarifa zero, tanto para consumo doméstico, como para comercial, servindo a bares e festas. A vila de Santo Antônio do Prata, ex-colônia do Prata que abrigava somente portadores de hanseníase, tem hoje aproximadamente quatro mil moradores. O MPF/PA aguarda o resultado da vistoria para tomar as providências necessárias.Por M
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