Morhan Nacional:

Morhan representa o Brasil no Apelo Global pela Eliminação do preconceito contra as pessoas atingidas pela hanseníase

JANEIRO ROXO

Morhan representa o Brasil no Apelo Global pela Eliminação do preconceito contra as pessoas atingidas pela hanseníase

 

No janeiro roxo, mês em que campanhas nacionais e mundiais chamam a atenção para a hanseníase, o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) tem movimentado diversas regiões do Brasil em ações de mobilização social, capacitação profissional e conscientização. Mas a mobilização do Morhan não está limitada ao território brasileiro: na Índia, junto a organizações de todo o mundo, o Morhan e a Organização Nacional de Entidades de Deficientes Físicos no Brasil (Onedef) representam o Brasil em duas atividades de articulação estratégica internacional pela eliminação da hanseníase e enfrentamento do preconceito. Nesta terça-feira (30), as entidades lançam em conjunto com organismos internacionais o Apelo Global pela Eliminação do preconceito contra as pessoas atingidas pela hanseníase, durante conferência sobre o tema em Nova Delhi.

 

Sustentabilidade e estratégia global

Faustino Pinto e Artur Custódio, da coordenação nacional do Morhan, e Carmen Lopes Fogaça, da Onedef, participaram de 27 a 29 de janeiro do 2º retiro para parcerias pró-sustentabilidade em relação à hanseníase, e nos dias 30 e 31 de janeiro farão parte da Conferência sobre Hanseníase e Deficiência, durante a qual será lançado o Apelo Global.

 

Iniciativa da Fundação Sasakawa, o objetivo do retiro foi reconhecer os papéis e contribuições das organizações focadas nas pessoas, compartilhar conquistas alcançadas em parceria com entidades locais, nacionais e internacionais na melhoria dos serviços de saúde, pensar em ações de sustentabilidade nesse âmbito e propor recomendações para ações e parcerias futuras.

 

Já a conferência é uma promoção conjunta entre a Fundação Nippon e a Organização Internacional das Pessoas com Deficiência, e reune representantes de movimentos sociais da Ásia, África e América, portavozes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de organismos internacionais de Direitos Humanos, além de pesquisadores de centros universitários especializados de várias partes do mundo.

 

Diagnóstico tardio e estigma

A primeira participação do Morhan foi com a fala de Faustino Pinto em um debate sobre articulações entre os movimentos dos direitos das pessoas atingidas pela hanseníase e os movimentos em defesa das pessoas com deficência na luta pela eliminação do preconceito, no primeiro dia do evento, 30 (foto).

 

Faustino denunciou o despreparo de serviços de saúde para lidar com o tema da hanseníase, “um sistema que não cumpre a sua responsabilidade de nos garantir uma melhor qualidade de vida”, afirma. Ele discutiu a situação atual em que, de um lado, temos inovações tecnológicas, médicas e de informação que podem oferecer um diagnóstico oportuno, o tratamento adequado e a cura às pessoas atingidas pela hanseníase; mas, por outro, a realidade onde as pessoas diagnosticadas já chegam em estágio avançado da doença. A chave para entender esse paradoxo é o estigma associado especificamente à hanseníase, construído sobre desinformação a respeito do real funcionamento da doença, e que além de afetar o atendimento das pessoas atingidas nos serviços de saúde, também está por trás de demissões, isolamento social e outros atentados aos direitos humanos destas pessoas. Nesse cenário é que Faustino contextualizou a atuação do Morhan e os desafios colocados no âmbito do Brasil.

 

Com o tema “nada sobre nós sem nós”, na mesma sessão de debates, a representante da Onedef, Carmen Fogaça, apresentou um pouco das conquistas da articulação entre o movimento dos direitos das pessoas com deficiência e o Morhan, sobretudo a partir da criação da Onedef, em 1984.

 

 

Por fim, Artur Custódio volta a representar o Morhan no encerramento da Conferência, dia 31, reforçando a importância do trabalho em conjunto entre os movimentos dos direitos das pessoas com deficiência e das pessoas atingidas pela hanseníase. “Mas considerando as especificidades relacionadas ao estigma da hanseníase, que não está relacionado apenas à deficiência e, portanto, exige um enfrentamento específico”, defende.

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