Morhan Nacional:

Enfrentamento da hanseníase mobiliza a maior das conferências livres de Vigilância em Saúde no Brasil

HISTÓRICO

Enfrentamento da hanseníase mobiliza a maior das conferências livres de Vigilância em Saúde no Brasil

 

Mais de 600 pessoas estão reunidas em Palmas (TO), desde a manhã desta quinta-feira (19), para discutir diretrizes de uma política nacional de vigilância em saúde com foco na eliminação da hanseníase

 

Como etapa temática preparatória para a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, que acontece em novembro, em Brasília, o município de Palmas (TO) sedia até esta sexta-feira (20) a primeira Conferência Livre de Vigilância em Saúde com foco em Hanseníase. Trata-se de uma realização conjunta entre o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), o Conselho Nacional de Saúde e o Ministério da Saúde, e com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Secretaria Municipal de Saúde de Palmas, Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins, Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) e os conselhos nacionas de Secretários de Saúde e de Secretarias Municipais de Saúde (Conass e Conasems).

 

Iniciado na manhã desta quinta-feira (19), o evento reúne mais de 600 pessoas, entre usuários, profissionais de saúde, gestores, estudantes e acadêmicos, no auditório central do CEULP/ULBRA, o que torna a conferência com ênfase em hanseníanse a maior entre as conferências livres preparatórias para a CNVS já realizadas no país. A mesa de abertura marcou, já de partida, a posição da conferência como um movimento para apontar caminhos para o enfrentamento da doença no país e também de reafrimação da defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

“Só um sistema público de saúde capaz de promover a universalidade e a integralidade do atendimento pode superar uma situação como a da hanseníase no Brasil”, afirmou o secretário municipal de Saúde de Palmas, Nésio Fernandes. A coordenadora-geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGHDE/MS), Carmelita Ribeiro, lembrou que o país é o segundo no mundo em número de novos casos da doença e divulgou o trabalho de campo que será realizado a partir da próxima semana, em parceria com a OPAS e o Morhan, em seis estados, capacitando profissionais de saúde da atenção básica, a luz da experiência que vem dando certo em Palmas.

 

Para a coordenadora nacional do Morhan, Lucimar Batista, uma política de saúde realmente equânime precisa chegar de forma efetiva às populações ribeirinha, quilombola, de rua, por exemplo, “pensando as pessoas integralmente, como cidadãos detentores de direitos”, defendeu. Já a consultora da OPAS/OMS, Vera Andrade, convocou todos e todas a se indignar com a informação de que crianças continuam sendo detectadas com a doença. “Precisamos tratar mais cedo e mais perto da casa das pessoas”, ressaltou.

 

O representante do Ministério da Saúde, Neilton Araújo, saudou a ampla mobilização em torno da conferência e enfatizou a importância de multiplicar luta contra a hanseníase e em favor do SUS em todos os âmbitos, convidando o público a renovar este compromisso nos locais de trabalho e de lazer.

 

A mesa contou ainda com a participação internacional de Masahiro Jumbo Hitaka, da Nippon Foundation, do Japão, que atua há mais de 40 anos em cooperação internacional para a eliminação da hanseníase no mundo, e que há mais de dez anos desenvolve ações em parceria com o Morhan no Brasil. Representantes da secretaria estadual de Saúde do Tocantins, da Defensoria Pública do Estado, e da prefeitura de Palmas completaram a mesa inaugural.

 

Discussão em eixos temáticos

Representando o Conselho Nacional de Saúde no evento, o vice-coordenador nacional do Morhan, Artur Custódio, apresentou a dinâmica da conferência, que seguirá à tarde com a divisão em grupos por eixos temáticos, que discutirão direitos, assistência e vigilância, práticas e tecnologias, mobilização, com foco em hanseníase mas também no âmbito do conjunto das doenças negligenciadas, incluindo discussões sobre tuberculose, hepatites, doença de chagas e leishmaniose. “Estes são dois dias para discutir política de saúde: debater e propor ações de promoção e proteção à saúde, fortalecimento do território, controle social e democracia participativa”, enfatizou, provocando que na verdade não se trata de discutir o cenário das doenças nengligenciadas: “o que existe são pessoas que são negligenciadas e estamos aqui para pensar uma política de saúde que não as negligencie mais”.

 

 

Os números da hanseníase no Brasil e em Tocantins

Em 2016, o Ministério da Saúde registrou 25.218 casos novos da doença no país, o que significa uma taxa de detecção de 12,23 casos novos para cada 100 mil habitantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil está entre os três países com grandes populações (juntamente com Índia e Indonésia) que notificam mais de 10 mil novos pacientes anualmente. Juntos, esses três países

representam 81% dos pacientes recém-diagnosticados e notificados no mundo.

 

Do total de novos casos no Brasil em 2016, 72,3% são muiltibacilares (ou seja: 18.224 pessoas), o que indica atraso na detecção da doença. Outro número que preocupa é a ocorrência de novos casos entre menores de 15 anos, que em 2016 ficou em 1.696. A detecção de casos entre crianças indica a continuação da presença de pacientes não detectados.

 

Tocantins é o estado com a maior taxa de incidência de novos casos: em 2016, os 1.351 casos novos representaram uma taxa de 88,13 casos para cada 100 mil habitantes. O estado é seguido de perto por Mato Grosso, com uma taxa de 80,62 casos novos em cada 100 mil habitantes.

 

A fim de atuar com mais força diante deste cenário, além da programação e da preparação para a Conferência Nacional, o Morhan também dará continuidade à formação de um pré-núcleo em Palmas, dando sequência à articulação de voluntários da região cadastrados na Remob que têm se encontrado desde agosto.

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