Morhan Nacional:

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) demorou 21 dias para tornar público o desaparecimento de uma caixa contendo mais de 5 mil comprimidos de talidomida, remédio sujeito a um controle rigoroso por causa dos graves efeitos colaterais que provoca. Lançada para combater enjôos em gestantes, a droga provoca malformações no feto e hoje é usada somente no tratamento de alguns casos permitidos pelo Ministério da Saúde, como no da hanseníase. O extravio ocorreu em 13 de novembro, durante o transporte de cinco caixas do remédio do laboratório fabricante, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, para a Secretaria de Saúde de Santa Catarina. As cinco caixas - cada uma contendo 5.760 comprimidos - saíram do laboratório num veículo da Vootur. No Aeroporto de Pampulha, o material foi despachado para Santa Catarina, num vôo com escala em São Paulo. Em São Paulo, os registros já demonstravam haver apenas quatro caixas.A Funed admite que demorou a notificar a Anvisa. Mas atribuiu a demora à uma série de medidas que teve de adotar para se certificar de que a caixa não estava em algum aeroporto do País, extraviada. Ainda segundo a assessoria de imprensa, além da Anvisa foram notificadas a Polícia Federal e a Vigilância Sanitária local. Apesar de haver recebido o comunicado em 27 de dezembro, somente no último dia 17 a Anvisa divulgou uma nota sobre o "extravio". Ainda assim, sob a forma de informe técnico. "É um descaso lamentável, uma mostra de como a vigilância pode ser frouxa", afirmou Artur Custódio, Coordenador Nacional do Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN). "Não conseguimos entender por que o assunto foi tratado dessa forma, como se fosse algo corriqueiro ou um remédio qualquer", completou.Para ele, uma droga de uso restrito como a talidomida deveria ter recebido uma atenção maior. "Um comunicado de mais alcance e, sobretudo, emitido rapidamente", afirmou. O gerente geral de Inspeção e Controle de Medicamentos da Anivsa, Roberto Barbirato, não soube dizer porque houve uma demora no comunicado. Também admitiu não ter detalhes sobre o extravio. Mas ele não tem dúvida de que se trata de um furto."Há quadrilhas especializadas em remédios. Elas muitas vezes roubam as cargas e somente depois vão avaliar quais remédios são fáceis de vender no mercado, quais são interessantes", afirma.(AE) Fonte: Cruzeiro Net
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