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CONASEMS HOMENAGEIA ENTIDADES QUE LUTAM CONTRA A HANSENÍASE

Ministério da Saúde lança a campanha deste ano e homenageia o CONASEMS e outros parceiros da luta contra a hanseníase. A taxa de prevalência da doença caiu 65% nos últimos 10 anos.

O Ministério da Saúde realizou nesta terça-feira (14), no Auditório Emílio Ribas, em Brasília, uma cerimônia alusiva ao Dia mundial de luta contra hanseníase, que é comemorado sempre no último domingo do mês de janeiro. Como parte das ações deste ano, o Ministério homenageou parceiros, entre eles o CONASEMS, em reconhecimento à colaboração combinada na luta contra a hanseníase em 2013 e lançou uma campanha educativa dirigida à população e aos profissionais de saúde. 

A ampliação da oferta de tratamento nas unidades públicas de saúde, o fortalecimento da busca ativa de casos para o diagnóstico precoce e tratamento oportuno, além do aumento da capacidade de profissionais para realizar diagnósticos também são medidas que vêm sendo adotadas para a eliminação da doença.  O Ministério da Saúde repassa, regularmente, aos estados e municípios, recursos para as ações de vigilância, prevenção e controle de doenças, inclusive hanseníase, por meio do Piso Financeiro de Vigilância em Saúde. Em 2013, esses recursos totalizaram R$ 1,3 bilhão.

CAMPANHA - Com slogan “Hanseníase tem cura”, a campanha orienta os profissionais de saúde a identificar os sinais e sintomas da doença visando o diagnóstico precoce. A ação será concentrada em todas as capitais e nas cidades com mais de 100 mil habitantes das regiões morte, nordeste e centro-oeste, além da baixada fluminense, das regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte e do norte de Minas Gerais. Estas áreas são consideradas prioritárias para ações de combate à doença por concentrarem a maioria dos casos. 

Os materiais de divulgação, como banners, serão divulgados especialmente nas redes sociais. Em dois estados e no Distrito Federal também serão desenvolvidas outras atividades. Em Brasília, uma carreta da Fundação Novartis ficará estacionada, de 14 a 17 deste mês (janeiro), na rodoviária do plano piloto realizando diagnósticos e orientando a população sobre a doença. Também serão desenvolvidas atividades em duas linhas de trem geridas pela Fundação Vale, nos estados do Pará e no Maranhão.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, explicou que a campanha é de "fundamental importância para conscientizar a população sobre a existência da doença" e também sobre a disponibilidade do tratamento ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

RECURSOS - O Ministério da Saúde vem apoiando os estados e municípios que ainda apresentam maior concentração da doença e que estão localizados, principalmente, nas regiões norte, nordeste e centro-oeste. No final do ano, foram disponibilizados R$ 15,6 milhões a 40 municípios prioritários para a implantação de ações inovadoras que acelerem o combate à hanseníase e esquistossomose. Essas cidades detêm 24% dos casos novos de hanseníase diagnosticados no país.  Os recursos devem ser aplicados em ações, aprovadas pela Secretaria de Vigilância em Saúde, com foco na busca de casos suspeitos, exames de contatos, integração com a Estratégia Saúde da Família e outras ações que eliminem os focos de transmissão da doença.

ESCOLARES - Em 2013, o Ministério da Saúde realizou uma campanha inédita nas escolas para diagnóstico de casos suspeitos de hanseníase e tratamento coletivo de geohelmintos em 852 municípios considerados prioritários.  A campanha teve como objetivo a detecção de casos novos de hanseníase entre menores de 15 anos.  “A partir destas análises foi possível identificar - nas famílias e nas comunidades - adultos portadores da hanseníase, que podem ter sido a fonte de infecção das crianças”, explicou o Secretário de Vigilância em Saúde. Segundo ele, quando há um caso em criança é porque existe um adulto próximo ainda sem diagnóstico e tratamento.

Foram submetidos ao exame inicial cerca 3,8 milhões de alunos, dos quais 243 mil foram encaminhados para avaliação nas unidades de saúde, sendo confirmados cerca de 300 casos da doença. O Ministério da Saúde irá realizar nova campanha nas escolas, prevista para o primeiro semestre deste ano, acrescentando mais 150 municípios, totalizando cerca de 1.000 municípios.

QUEDA - A taxa de prevalência de hanseníase caiu 65% nos últimos 10 anos, passando de 4,33 casos para cada 10 mil habitantes em 2002 para 1,51 casos para cada 10 mil habitantes em 2012. A queda é resultado das ações de combate à doença, que foram intensificadas nos últimos anos. O Brasil registrou uma média de 33,303 novos casos da doença, em 2012 o coeficiente de detecção foi de 17,17/100 mil habitantes na população em geral.  Em menores de 15 anos, o coeficiente foi de 4,81/100 mil habitantes, redução percentual acumulada de 40% na comparação com o período de 2003 (7,98/100 mil habitantes) a 2012. Cinco estados apresentam coeficiente de prevalência acima de três casos por 10 mil habitantes (Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará e Rondônia) e três estados apresentam a menor taxa de prevalência (Rio Grande Sul apresenta 0,12 casos para cada 10 mil habitantes, Santa Catarina 0,29/10 mil e São Paulo 0,34/10 mil). 

MONITORAMENTO - Entre as ações adotadas pelo Ministério da Saúde, se destaca o Monitoramento para Eliminação da Hanseníase, realizada com apoio da Organização Pan-Americana/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), que coletou dados em 60 municípios. Foram pesquisadas 164 unidades de saúde de todo Brasil, representando 27% da população brasileira (52,8 milhões). Os municípios selecionados foram os que apresentam maior carga da doença e concentram 60% dos casos. No monitoramento, ficou constatado que 87,5% dos municípios brasileiros oferecem serviços de diagnóstico e tratamento para hanseníase. 

HOMENAGEM-  Durante a cerimônia, foram homenageados parceiros em reconhecimento à colaboração na campanha combinada de detecção de novos casos de hanseníase em 2013. O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, ressaltou que, apesar dos avanços e melhoras nos indicadores, o Brasil ainda não completou a tarefa de combate a hanseníase e há muito a fazer. O secretário destacou ainda a necessidade de se manter os esforços conjuntos contra a hanseníase, doença que atinge sobretudo as pessoas pobres e com maior vulnerabilidade social, situação que pode agravar ainda mais a situação de pobreza.

O CONASEMS foi uma das instituições homenageadas, representado por seu secretário executivo, José Ênio Servilha, que agradeceu o reconhecimento do trabalho e parabenizou também os municípios que se destacaram nesta luta. O secretário frisou a importância dos municípios como verdadeiros executores dos programas do SUS no combate a hanseníase através da atenção básica de qualidade, que "deve garantir o atendimento, a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento da doença e de sua recuperação", ressaltou.   

Representando a Secretaria Municipal de Saúde de Rondon do Pará/PA, uma das secretarias homenageadas (confira a lista de homenageados), a Coordenadora Municipal de Saúde Bucal, Nádia Izabel Santos e Silva, explicou que a luta contra a hanseníase no município de cerca 47 mil habitantes é rotina. Rondon do Pará localiza-se no sudeste do estado do Pará, próximo a divisa com o Maranhão. Por se destacar economicamente na região e ter uma área rural extensa, o município atrai constantemente muitos imigrantes. As condições de vida e de saúde da população, somados ao intenso ciclo de migração, faz com que Rondon seja uma área endêmica de hanseníase. “Eu presenciei a luta de colegas que foram a campo trabalhar. Foi muito importante esse reconhecimento de Rondon como município que trabalhou na campanha e atua com atendimento na luta contra a hanseníase. A doença nem sempre está visível, é preciso fazer busca ativa.”

 

Fonte: Site Oficial do CONASEMS

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