Morhan Nacional:

CARTA DE MACEIÓ /TENDA PAULO FREIRE

Maceió, 13 de junho de 2012.

 

Nós dos coletivos de educação popular e saúde, profissionais de saúde, gestores e educadores reunidos na Tenda Paulo Freire do XXVII congresso nacional de secretárias Municipais de Saúde, realizada em Maceió- Alagoas, articulados no fortalecimento do sistema único de saúde – SUS, 100% público e estatal, apresentamos reflexões e práticas da educação popular em saúde contribuidoras com a qualificação do cuidado, gestão, educação  participação na saúde. 

 

A Tenda Paulo Freire se apresenta no cenário da saúde como um espaço de articulação entre saberes técnicos/científicos e populares, onde novas formas de participação popular e controle social tem sido vivenciadas mais próximos da cultura e realidade das comunidades referenciadas nos princípios da Educação Popular como amorosidade, o diálogo, a problematização e a construção compartilhada de saberes e práticas. Destacando assim a necessidade de fortalecermos outros jeitos de participar do SUS, a implementação de políticas e processos educativos construídos de forma compartilhada e não para a população, para que assim  tenhamos uma gestão participativa de fato no SUS.

 

Nosso saber/fazer anuncia um SUS onde as únicas terapias possíveis não sejam apenas a consulta médica, os medicamentos alopáticos, exames e hospitais. A integridade pressupõe uma assistência de saúde que aceite a subjetividade de cada um(a) e da comunidade, sua crença, valores e histórias. Entendemos que essa construção só é possível em conjunto, levando em conta todas as formas de produzir saúde, sejam da comunidade, do ente público e ou da academia.

 

Neste sentido oferecemos durante essa semana exemplos práticos de como fazer e porque fazer. Muitos gestores passaram pela sala de cuidados da Tenda Paulo Freire e receberam Massagem Corporal, Reiki, Auriculoterapia e Reza. Estas formas de cuidado não são meras alternativas de relaxamento, mas trazem em sua essência uma filosofia de vida, um saber/fazer milenar e uma intencionalidade política mais afinada e comprometida com um projeto de desenvolvimento popular para o Brasil. Essa demonstração é para que o gestor, o profissional e o cidadão de modo geral despertem a consciência de que a população usuária do SUS em todo país merece e precisa destas práticas ou a integralidade e equidade continuarão sendo apenas um discurso.

 

Neste sentido apresentamos algumas idéias e propostas:

·         A formação de grupos de cuidadores populares em todo Brasil dentro do pensamento filosófico e político da educação Popular;

·         Desmistificação das práticas complementares e integrativas do cuidado;

·         Formação dos sujeitos na perspectiva da Educação Popular em saúde visando à autonomia e o respeito aos diversos saberes: popular, técnico-científico, religioso, tradicional;

·         Socialização da vivência da Tenda Paulo Freire na perspectiva de construção de um espaço de discussão das políticas públicas de forma participativa com inclusão dos diversos atores (trabalhadores de saúde, gestores, usuários, movimentos sociais, professores, estudantes, práticas populares de cuidado);

·         Implementação dos princípios da educação popular em saúde nas políticas de atenção Básica, humanizaSUS, Práticas integrativa, promoção de saúde, ParticipaSUS;

·         Implementação das políticas de promoção da equidade em saúde em todos os municípios (saúde da população Negra, campo e floresta, LGBT, em Situação de Rua, Ciganos);

·         Aprovação, implantação/implementação da política Nacional de educação popular em Saúde.

·         Contra a privatização da saúde e por um SUS 100% publico, não as O.S e a EBSERH (acréscimo da professora Edna)

 

Assinam esta carta:

MOPS – Movimento Popular de Saúde de Alagoas e Sergipe;

RECID – Rede de educação Cidadã da Bahia e Alagoas;

ANEPS – Articulação Nacional de movimentos e práticas de educação Popular e Saúde;

REDEPOP – Rede de educação Popular  saúde;

ANEPOP – Articulação Nacional de Extensão popular;

Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde;

Frente Nacional de Luta Contra a Privatização da Saúde;

Movimento Escambo Popular Livre de Rua;

MORHAN e demais movimentos sociais populares presentes.

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