Morhan Nacional:

Em entrevista para a Revista Piauí o Ministro Gilberto Carvalho cita o Morhan como parte dos momentos mais emocionantes em seu trabalho realizado ao lado da Presidência da República. O Ministro fala sobre a sensação e o ocorrido na ocasião, em 2007, da manifestação pela Lei 11.520 realizada em Brasília, onde fomos recebidos (mais de 150 pessoas de colônias de todo o país que fazem parte do Morhan) sem audiência no Palácio do Planalto. Matéria está presente nesse link: Leia Aqui Escrita por Plínio Fraga Abaixo o trecho transcrito: " O ministro narrou o que chamou de o “dia mais simbólico” dos oito anos de mandato de Lula. No começo de uma noite de meados de 2007, foi informado de que haviam chegado ao Palácio do Planalto 130 pessoas do movimento dos portadores de hanseníase. Sem nenhuma audiência pedida. Reivindicavam indenização federal porque, até 1976, os acometidos pela doença eram confinados pelo Estado em colônias, os antigos leprosários. “Eles foram contando suas histórias, como a da moça que estava grávida e a polícia sanitária a tirou de casa e a levou para o leprosário. O marido se suicidou, e a filha, quando nasceu, foi retirada dela imediatamente e colocada num dispensário, orfanato contíguo ao sanatório. As mães só podiam ver os filhos pelos vidros, sem ter contato. A filha desapareceu, e ela só a reencontrou 35 anos depois. Quando comecei a escutar aquelas histórias, eu disse: ‘Dou conta disso não.’ Subi [para o gabinete presidencial].” Carvalho contou que interrompeu Lula. O presidente tinha um dia de agenda cheia, com políticos e empresários. “Eu disse: ‘Ó, Veio, o pessoal está lá.’ Ele respondeu: ‘Gilbertinho, vocês me montam uma agenda maluca dessas e como vou descer?’ Respondi: ‘Veio, tem que falar com esse povo porque é uma coisa muito especial.’” O ministro acomodou os 130 manifestantes em uma sala do 3º andar, ao lado da do presidente. “Puxei-o pelo braço e o levei. Quando entramos na sala – os igrejeiros sabem a que vou me referir –, eles estavam cantando aquela música que diz: ‘Fica sempre um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas...’” “Quando viu aquela gente, Lula fez um gesto que vai me marcar para o resto da vida: saiu abraçando e beijando uma por uma aquelas pessoas, o que não é fácil. Falou para mim: ‘Acaba com a agenda do resto do dia. Quero ouvi-los.’ Uma hora e pouco escutando. Chamou-me depois e disse: ‘Gilbertinho, temos vinte dias para fazer uma lei para dar a essa gente o direito à indenização. Trata de mandar fazer essa lei rapidamente.’” O ministro ficou com os olhos marejados. “Estou ficando velho, estou chorão”, reconheceu, da mesa em que estava instalado. “Não foram vinte dias, mas em quarenta dias eles estavam de volta ao Salão Leste. Lula assinou o decreto com a indenização.” Foram beneficiados 3 mil “exilados sanitários”, sobreviventes dos 101 hospitais-colônia abertos desde o começo do século xix. Passaram a ganhar pensão mensal vitalícia de 750 reais, a um custo de 27 milhões de reais por ano para o Tesouro. “Esse fato, que chamo de sacramental pela sua simbologia, mostra como é decisivo que o governo ouça. Tenha paciência, abertura para acolher e fazer justiça. Desculpem-me ter falado demais para meu tamanho”, encerrou Carvalho."
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