Morhan Nacional:

Uma caravana com 300 filhos de ex-pacientes de hanseníase de sete estados brasileiros estará em Brasília, nesta quinta-feira (19), para a entrega oficial do dossiê A história dos filhos órfãos de pais vivos ao chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, e ao ministro de Direitos Humanos, Paulo Vanucci. O documento relata a saga de crianças que, a partir da década de 30, foram separadas dos pais, levados à força para antigos hospitais- colônia de hanseníase em todo o país. A comissão será recebida às 11h, no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo federal.   “O objetivo é dialogar com governo a respeito dos danos sofridos pelas crianças que foram separadas dos pais pelo isolamento compulsório da hanseníase, a partir da década de 30, tanto as deixadas em preventórios (orfanatos), quanto às deixadas com amigos ou familiares”, explica Artur Custódio Moreira de Souza, conselheiro nacional de Saúde e coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), responsável pela iniciativa, que conta com o apoio da Organização de Direitos Humanos Projeto Legal e OAB Federal.   Com o dossiê, a comissão entregará cartas com relatos de experiências vividas pelos filhos separados dos pais,  endereçadas ao presidente Lula, que será a base da coletânea do livro Cartas de órfãos de pais vivos, a ser lançado em breve.   Em novembro, a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas deve aprovar uma resolução propondo aos países-membros políticas afirmativas nas comunidades remanescentes de antigas colônias de hanseníase. “O reconhecimento pelo governo brasileiro dos danos sofridos pelos pais desses filhos, através da Lei 11.520/2007, abre o caminho para essa discussão. O Brasil foi o segundo país no mundo – o primeiro foi o Japão - a indenizar as pessoas que ficaram isoladas pela hanseníase depois da descoberta da cura. Se o país reconhecer o direito à reparação dos filhos, seremos o primeiro a pagar indenização. Isso significa que o Brasil partiria na frente até mesmo da ONU”, avalia Artur Custódio.
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