MORHAN - Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase



Projeto de Formação para Gestão Participativa e Controle Social

 


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Os riscos da Talidomida - 19/10/2006

Talidomida, uma medicação com muitos riscos: aprenda sobre eles 


  1. Um pouco de história: A talidomida é uma medicação que foi sintetizada pela primeira vez na antiga Alemanha Oriental na década de 1950.  Logo se descobriu que ela tinha efeito calmante (tranqüilizante) e diminuía náuseas e vômitos. Além disto, ela não provocava nenhum problema em filhotes de ratas grávidas em testes de laboratório. Assim, ela foi vendida livremente em diversos países do mundo, sem necessidade de receita médica, e foi muito utilizada por mulheres grávidas, já que diminuía os enjôos característicos do início da gravidez.

  2. A tragédia: Logo no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, nasceram milhares de crianças com defeitos de nascença: sem parte dos braços, sem pernas, com problemas em órgãos internos como o coração, rins e intestinos, com problemas de visão e audição, afora aqueles bebês que não sobreviveram. A causa logo ficou clara: era o uso da talidomida que causava todos estes problemas que receberam o nome de Síndrome da Talidomida Fetal. Mesmo algumas mulheres que tinham usado apenas um ou dois comprimidos no início da gravidez tiveram filho afetado. Por causa deste terrível efeito, a medicação foi retirada do mercado e os afetados têm direito a uma indenização até os dias de hoje.

  3. A talidomida e a hanseníase: Ainda na década de 1960, um médico israelense, tentando desesperadamente aliviar a dor de alguns pacientes seus que sofriam de seqüelas de hanseníase, resolve usar como ultimo recurso, a talidomida. Para sua surpresa, em poucos dias não só a dor destes pacientes diminuiu, mas também algumas lesões que chamamos de eritema nodoso da hanseníase. Estas lesões são causadas por uma resposta alterada do sistema imune do paciente ao bacilo da hanseníase, e que pode ocorrer mesmo depois que o paciente já está curado. Desta forma, a talidomida ainda é utilizada mesmo nos dias de hoje por alguns pacientes que tem este tipo de complicação da hanseníase. Mas ela não é mais vendida em farmácias e é usada apenas em programas do governo.

  4. Os cuidados: A talidomida é extremamente perigosa ao bebê bem NO INÍCIO DA GRVIDEZ, quando a mulher geralmente AINDA NÃO SABE QUE ESTÁ GRAVIDA. Por isto esta medicação não deve ser usada NUNCA por mulheres que possam estar grávidas ou engravidar. É muito triste, mas sabemos que ainda nos dias de hoje nascem crianças com defeitos graves porque mulheres não foram corretamente orientadas e usaram esta medicação sem saber que estavam grávidas. Naqueles casos muito excepcionais em que é extremamente necessário que uma mulher use a talidomida, ela deve estar fazendo uso de pelo menos dois tipos de anticoncepcionais e ter teste de gravidez negativo.  Ela deve conversar muito com o médico antes de tomar o medicamento e saber dos riscos e como evita-los. A talidomida não tem efeito em longo prazo, isto é, depois que a mulher pára de usar a medicação ela pode engravidar normalmente. Se um homem está usando a talidomida deve se assegurar que ninguém a não ser ele use o medicamento.  

  5. Onde obter mais informações:

    1. O Telehansen está disponível para esclarecer suas dúvidas sobre a talidomida, seus usos e seus riscos. Se você conhece algum caso de Síndrome de Talidomida Fetal relate ao Telehansen. (0800 26 2001)
    2. Você pode contactar também o SIAT (Sistema Nacional de Informação sobre Teratógenos): O SIAT é um serviço gratuito que fornece informações sobre os riscos na gravidez pelo uso de medicamentos ou outras substâncias pela mulher grávida.


 

Lembre-se: a gestação não é um acidente: planeje-a. O SIAT pode dar informações importantes para as mulheres que querem engravidar ou que já estão grávidas. Nosso telefone: 51 2101-8008. 

Por Lavínia Schüler-Facinni


New Cases of Thalidomide Embryopathy in Brazil (06.2007)

Artigo de Lavinia Schuler-Faccini, Rosa Castalia Franca Soares, Artur Custodio Moreira de Sousa, Claudia Maximino, Expedito Luna, Ida Vanessa Doderlein Schwartz, Carolina Waldman e Eduardo Enrique Castilla (em inglês)

Abstract
Thalidomide is the best known human teratogen. Although withdrawn from the market in 1961, thalidomide was remarketed after 1965 in several countries, for the treatment of erythema nodosum leprosum. Thalidomide has a potent immunomodulatory property and has now a number of approved and off-label uses in dermatologic, oncologic, infectious and gastrointestinal conditions. In the U.S., FDA approved the use of thalidomide in 1998, but no cases of thalidomide embriophaty were registered after that. Since 1996 no new cases were reported in Latin America. However, the Teratogen Information Service (TIS) Porto Alegre, recorded three new cases of thalidomide embriophaty born in Brazil since 2005. Considering that these three cases were not registered through a systematic surveillance system, but that came to our attention through a series of coincidental random events, it can be assumed that the actual occurrence of affected babies by thalidomide continues being as frequent as denounced ten years ago. Birth Defects Research (Part A) 79:671–672, 2007.  2007 Wiley-Liss, Inc.

Key words: thalidomide; teratogenesis; phocomelia

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Protocolo
Influenza A (H1N1)