MORHAN - Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase



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Transcrição do chat com Artur Custódio, no Globo Video Chat - 12/09/2006

Trasncrição do chat com Artur Custódio

Moderador fala para a platéia: Olá, boa tarde a todos! O Brasil ocupa uma das piores situações do mundo em relação à hanseníase. O coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase explica a situação no chat! Enviem suas perguntas agora mesmo!


Artur Custódio de Sousa fala para a platéia: Boa tarde a todos!


Moderador apresenta a mensagem enviada por sonia: Qual a relação da doença com sua maior incidência em países de clima quente?
Artur Custódio de Sousa responde para sonia: Se formos analisar a história da hanseníase vemos que a Noruega já foi líder de casos da doença. A questão é que os países subdesenvolvidos estão na faixa equatorial. Isso explicaria os índices mais altos. Hoje o índice coincide.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Daniela_MG: Quais os cuidados que se deve ter para evitar o contágio?
Artur Custódio de Sousa responde para Daniela_MG: A melhor forma de previnir o contágio é tratar a pessoa logo que os primeiros sinais apareçam. Outra questão é a vacina BCG, que é a da tuberculose. Quando aplicada duas vezes aumenta a resistência à hanseníase.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Luana-SP: A hanseníase tem cura? Qto tempo de tratamento é necessário?
Artur Custódio de Sousa responde para Luana-SP: Todos os casos de hanseníase têm cura, o problema são as sequelas. A maioria chega no SUS com alguma sequela. O tratamento demora de seis meses a um ano, com o tratamento regular.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Andre_Santana: Existem muitos tabus em torno da patologia, principalmente quanto a sua forma de contágio. Filhos de mães com hanseníase nascem sem a doença? Podem ser amamentados?
Artur Custódio de Sousa responde para Andre_Santana: A amamentação não transmite hanseníase. A criança não nasce com hanseníase. Se a mãe está doente, tem de tratar a mãe, para que ela pare de transmitir. A doença é transmitida pela respiração. Claro que há muitos tabus. Acho que as pessoas têm que ajudar a divulgar.


Moderador apresenta a mensagem enviada por joares: Doutor, em relação ao gene, o que essa descoberta vai nos proporcionar? Vacina?
Artur Custódio de Sousa responde para joares: Não vi a última estatística mundial, mas posso afirmar sobre o Brasil, que tem 45 mil casos. É o segundo lugar do mundo, só perde para a Índia. A Índia identifica por ano 400 mil, ou seja, dez vezes mais do que o Brasil.

Artur Custódio de Sousa fala para a platéia: O absurdo é que estamos entre os cinco primeiros colocados do mundo.


Moderador apresenta a mensagem enviada por decio: Existem países que ainda isolam os portadores da doença?
Artur Custódio de Sousa responde para decio: Não, não existe. Isso é proibido.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Virginia: Boa tarde Artur Custodio de Sousa, tenho uma amiga que tem hansebiase e não tem como se tratar, pois esta desempregada , sem marido e com filhos e irmã para cuidar, gostaria de ajuda-la, mas não sei como..
Artur Custódio de Sousa responde para Virginia: O tratamento da hanseníase é pelo SUS e todos os medicamentos são doados pela OMS. É importante que ela nos escreva, dizendo quais as dificuldades que ela está sofrendo, para que possamos ajudá-la.

Artur Custódio de Sousa fala para a platéia: Nosso site é www.morhan.org.br


Moderador apresenta a mensagem enviada por vera: os casos de AIDS no Brasil diminuiram mto em razão de campanhas feitas pelas instituições. como fazer para a hanseníase seja divulgada como a AIDS e assim diminuir tb?
Artur Custódio de Sousa responde para vera: A AIDS está tendo uma cronificação. No Brasil houve uma desaceleração da doença, os casos novos têm diminuído. A participação das ONGs foi importantíssima.


Moderador apresenta a mensagem enviada por elena: o Morhan trabalha com voluntários? que tipo de serviço vocês estão precisando?
Artur Custódio de Sousa responde para elena:
O MORHAN está em vários municípios e funciona totalmente com voluntários. Temos pouquíssimos funcionários.

Artur Custódio de Sousa fala para a platéia: Essas pessoas que estão nas antigas colônias é outra discussão. Elas estão muito idosas. Temos que pensar em como melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Reintegrá-las é complicado, a maioria perdeu todos os vínculos familiares. O que é preciso fazer é melhorar o lugar onde ela vive, fazer com que ela viva com mais dignidade. E precisamos que as pessoas não sejam descriminadas. São dois tópicos: o passado e as pessoas que estão chegando e que sofrem de preconceitos.


Moderador apresenta a mensagem enviada por neco: onde fica o MORHAN? tem algum outro tipo de grupo aqui em sp?
Artur Custódio de Sousa responde para neco: A sede nacional é no Rio de Janeiro. Mas temos núcles em outros lugares, inclusive em São Paulo, capital.


Moderador apresenta a mensagem enviada por neide: Sou professora do segundo grau e gostaria de saber se existe algum filme que explique a doença. Quero debater e esclarecer para meus alunos
Artur Custódio de Sousa responde para neide: Existe, sim. Existem filmes sobre a hanseníase que podemos inclusive enviar gratuitamente. Ela pode entrar em contato pelo site ou pelo telefone 0800-26-2001.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Leo: Antigamente era chamada de lepra. Desde quando a doença é chamada de hanseníase? pq o nome foi trocado?
Artur Custódio de Sousa responde para Leo: O Brasil é um dos poucos países que oficialmente mudou a nomenclatura para hanseníase. A designação bíblica 'lepra' era um conjuto muito grande de doenças. A doença atual é a hanseníase. Historicamente, o Brasil foi um dos primeiros países a fazer isso. Nosso país assumiu isso em 1976 e depois foi transformado em lei em 1992.


Moderador apresenta a mensagem enviada por elis: a que vc credita o fato de o brasil ter números tão altos de doentes?
Artur Custódio de Sousa responde para elis: Se o governo atual fizer uma política agressiva de acabar com a doença, ela acaba daqui a alguns anos. Os governos vão deixando a responsabilidade de lado e isso aumenta os índices da doença.


Moderador apresenta a mensagem enviada por amanda: vcs trabalham direto com portadores da doença? Como fazer para vcs não se infectarem?
Artur Custódio de Sousa responde para amanda: Sim. A possibilidade de você ser contaminado na sociedade é a mesma se trabalhar ou não com as pessoas. Eu trabalho com isso há mto tempo e ainda não consegui pegar.


Moderador apresenta a mensagem enviada por neide: a doença sempre se manifesta ou é possível conviver com ela sem sintomas? quais costumam ser os primeiros sintomas?
Artur Custódio de Sousa responde para neide: Ela precisa ter sintomas. O que se tem hoje mundialmente é que não existe portador são, precisa haver sintomas. E eles são manchas vermelhas na pele, com perda de sensibilidade.


Moderador apresenta a mensagem enviada por lecio: Sobre a suscetibilidade das pessoas a contrair hanseníase, existe algum teste que nos indique isso?
Artur Custódio de Sousa responde para lecio: 90% da população não é suscetível aos bacilos. Existe um teste no qual a pessoa comprova se tem proteção contra o bacilo ou não. Mas não comprova se ela vai contrair a doença ou não. Então não vale a pena fazer.


Moderador apresenta a mensagem enviada por opala: Quais são as primeiras dificuldades que uma pessoa infectada sofre?
Artur Custódio de Sousa responde para opala: Isso varia de pessoa para pessoa. Acho que a dificuldade maior é de a pessoa se aceitar com a doença. Preconceito não é só de quem está de fora. Acho que é o primeiro momento de abalo da pessoa. Se ela chega com sequelas, aí as dificuldades são infinitamente multiplicadas. Alguns casos precisam até de cirurgia plástica.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Fred: até hoje há um grande temor com relação à hanseníase. O que é verdade ou não nas crenças populares acerca da patologia?
Artur Custódio de Sousa responde para Fred: Seria mais interessante ele perguntar tópico a tópico. Mas posso dizer para ele que hanseníase não cai pedaço. Mas a pessoa vai perdendo a sensibilidade. A hanseníase não dá em cachorro. Hoje não se precisa isolar, já foi tempo que a lepra do passado se isolava. Não é autamente contagiosa, pelo contrário. Se fosse talvez tivéssemos mais atenção do governo.


Moderador apresenta a mensagem enviada por duarte: podemos considerar a hanseníase uma doença típica de regiões pobres ou isso tbm é um mito?
Artur Custódio de Sousa responde para duarte: Não, não é um mito. Tem uma relação com a qualidade de vida da população. A maioria tem uma qualidade de vida menor. Claro que como é uma doença infecciosa, teremos pessoas até ricas contraindo a doença. Mas é um número muito inferior.


Moderador apresenta a mensagem enviada por celeste: o tratamento ainda é feito com antibiótico quimioterápico? a descoberta desse gene vai mudar essa prática?
Artur Custódio de Sousa responde para celeste: O tratamento é ainda a polioquimioterapia. Ainda é assim. Decifrar o genoma do bacilo da hanseníase com certeza vai ajudar na descoberta de outros medicamentos que irão combater a hanseníase. A gente tem que fazer que as pessoas descubram que estão doentes e que os profissionais saibam tratar a doença para que possamos combatê-la.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Zizi: a falta de informação é o pior mal da doença?
Artur Custódio de Sousa responde para Zizi: Acredito que é um dos piores. O maior problema é que têm muitas informações erradas sobre a doença.


Moderador apresenta a mensagem enviada por cecilinha: Quais sãoos principais sintomas?Cecilia São mateus ES
Artur Custódio de Sousa responde para cecilinha: Manchas na pela com diminuição ou perda de sensibilidade. Mas você pode ter outros sintomas como ressecamento dessa mancha da pele. Você pode ter queda de pêlos, perda de sombracelhas, inchaço nas orelhas. E podem ser manchas brancas, manchas brancas com as bordas vermelhas, manchas vermelhas.


Moderador apresenta a mensagem enviada por maciel: Boa tarde! Eu gostaria de saber a opinião do Arthur sobre a doença em crianças. Elas são mais suscetíveis ou não?
Artur Custódio de Sousa responde para maciel: Não. O que acontece é que criança doente significa adulto sem tratamento. Quando vamos para estados como Pernambuco que encontramos vários casos em crianças, que é difícil, você percebe que tem muito adulto sem ser trabalho.


Moderador apresenta a mensagem enviada por regis: Se ela ainda é relacionada a regiões pobres, a suscetibilidade da pessoa então tbm depende da má alimentação ou baixa qualidade de vida?
Artur Custódio de Sousa responde para regis: Sim, tanto um quanto outro.


Moderador apresenta a mensagem enviada por amanda: existem tipos diferentes de hanseníase ou é um tipo só? ouvi falar sobre mtos bacilos e poucos bacilos..como isso funciona?
Artur Custódio de Sousa responde para amanda: Você tem quatro formas da doença. Hoje em dia, o que vai variar é se você tem muitos bacilos ou não e o tempo que a doença está na pessoa. O tipo de bacilo é o mesmo.


Moderador apresenta a mensagem enviada por tena: A origem da doença pode ser associada a outras doenças, como o Mal de Parkinson?
Artur Custódio de Sousa responde para tena: Não. O sistema imunológico da hanseníase é completamente diferente das outras. A pessoa pode ter proteção para um monte de tipos de doenças e não ter para hanseníase. Está se estudando a relação com a AIDS, mas ainda não está provada essa associação.


Moderador apresenta a mensagem enviada por gesio: A hanseníase ainda mata no Brasil?
Artur Custódio de Sousa responde para gesio: É raríssimo matar. Na prática, não. É muito, muito raro. O Brasil tem pouquíssimos casos de mortes registradas.

Moderador apresenta a mensagem enviada por roger: O Morhan mantém algum contato ou troca de informação sobre a doença com movimentos de outros países?
Artur Custódio de Sousa responde para roger: Mantém. O MORHAM é ligado a vários movimentos internacionais. Inclusive temos agora um encontro nas Filipinas.


Moderador apresenta a mensagem enviada por Jana: Uma pessoa pode se curar da hanseníase para o resto da vida? Ou sempre carregará o bacilo?
Artur Custódio de Sousa responde para Jana: A pessoa fica curada para o resto da vida. O que podem ficar são as sequelas.


Moderador apresenta a mensagem enviada por karina: Que tipo de precaução é preciso tomar no tratamento? Há algo proibido?
Artur Custódio de Sousa responde para karina: Nas práticas profissionais você vê de tudo. Alguns sugerem mudanças de alimentação, de hábitos. Mas comprovadamente não precisa mudar nada. Tem um medicamento que aumenta a pigmentação da pele e precisa ter cuidado com o sol.


Moderador apresenta a mensagem enviada por gilberto: Vcs recebem algum tipo de ajuda do Estado?
Artur Custódio de Sousa responde para gilberto: Cada grupo do MORHAM fecham parceiras na sua esfera. O MORHAM nacional terminou agora um convênio com o Estado do Rio e está executando um convênio com o Ministério da Saúde.


Moderador apresenta a mensagem enviada por cristina: Na sua opinião, de todos os mitos que envolvem a doença, qual o mais grave e qual o mais fácil de extinguir?
Artur Custódio de Sousa responde para cristina: Essa pergunta é difícil. Ela vai atingir a pessoa de maneiras diferentes. Todo preconceito não é fácil. Agora todos têm que ser combatidos. Tem um ditado que diz 'é mais valiosa a dor que cada um sente'. As nossas dores são diferentes.


Moderador apresenta a mensagem enviada por helio_rs: do ponto de vista visual, qual a diferença entre a hanseníase e a psoríase?
Artur Custódio de Sousa responde para helio_rs: São doenças distintas.


Moderador apresenta a mensagem enviada por mara: Em países desenvolvidos ainda existem casos ou a doença já foi exterminada? na matéria só falou dos países com mais casos registrados.
Artur Custódio de Sousa responde para mara: Os da matéria são mais graves. E nos países desenvolvidos são mais raros e geralmente foram contraídos em países subdesenvolvidos. Os países desenvolvidos já eliminaram a doença.


Moderador apresenta a mensagem enviada por lineu: como foi o seu primeiro contato com a doença? você tbm acreditava em algum mito?
Artur Custódio de Sousa responde para lineu: Meu primeiro contato foi muito ligado ao movimento religioso. E depois eu fui estudando.


Moderador apresenta a mensagem enviada por tadeu: ntos internacionais, o que você mais nota: em que pé está o Brasil no que diz respeito ao tratamento e ao esclarecimento sobre a doença?
Artur Custódio de Sousa responde para tadeu: O Brasil melhorou muito nos últimos 30 meses a respeito do combate. É claro que você tem um problema. A dificuldade de execução está no município. No que cabe a esfera federal melhorou bastante nos últimos anos. Mas precisa ter muito empenho. Um exemplo clássico foi o exemplo da polio. Quando você tem vários casos, é fácil você diminuir. Difícil é erradicar.


Moderador apresenta a mensagem enviada por carlos: Quantas pessoas vocês conseguem auxiliar no Morhan do RJ? E vocês contam com agentes multiplicadores para esclarecer os cuidados?
Artur Custódio de Sousa responde para carlos: Na verdade estamos com um grupo muito reduzido de voluntários. A gente vai multiplicar isso, é gratuito. Podemos ajudar muito. O MORHAM não tem um atendimento direto ao usuário. Claro que existem vários usuários que inclusive são voluntários. Mas temos uma linha informativa e basicamente uma linha política, fazendo com que a doença não saia da agenda política.


Moderador apresenta a mensagem enviada por walter: No Brasil, qual é a região mais atingida pela doença?
Artur Custódio de Sousa responde para walter: A região Norte e Nordeste. Mas se formos pensar em estados, o Maranhão precisa de um investimento alto, regiões do Pará e Tocantins também.


Moderador apresenta a mensagem enviada por felicio: qual a sua opinião sobre a estrutura dos hospitais da rede pública e do atendimento aos portadores de hanseníase?
Artur Custódio de Sousa responde para felicio: Diferença de área para área. O Brasil ainda tem que avançar muito em termos de estrutura.


Moderador apresenta a mensagem enviada por felicio: qual seria o caminho para diminuir a doença no Brasil, de que forma a mídia poderia ajudar?
Artur Custódio de Sousa responde para felicio: A gente precisa que o governo mantenha a agenda de elimição da hanseníase, independentemente do índice. Precisamos de um pacto nacional da eliminação da doença. Precisamos que os profissionais saibam identificar e tratar da hanseníase. Precisamos que os medicamentos cheguem para todos e não faltem. Precisamos que as pessoas saibam sobre a hanseníase. É importante que o jornal, a tv, a novela fale. A Globo já nos ajudou bastante com campanhas. Mas precisamos que isso continue, porque a população esquece muito facilmente. Daqui a alguns anos poderemos anunciar que a gente acabou com a hanseníase.

Artur Custódio de Sousa fala para a platéia: Gostaria de agradecer a todos que participaram do chat e que possivelmente vão nos ajudar. Quem precisar de material o telefone é 0800-26 2001 e o site é www.morhan.org.br. Um abraço a todos vocês!


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